MOISÉS APSAN: Eu chegueiem 1955, tinha 7 anos. Meu pai e minha mãe eles chegaram aqui nos Estates porque queriam ganhar um pouco de dinheiro e voltar para oBrasil, ai nós ficamos cinco anos. No fim minha mãe quiz voltar para oBrasil ela nunca se sentiu muito bem aqui nesse Dr. Moises Apsanpaís.Nós voltamos para oBrasil e fomos para Recife onde vivia um irmão dela mas aconteceu que eu tinha grandes problemas na escola. Imediatamente quando nós voltamos aoBrasil eles me colocaram um ano atrasado e depois seis meses se passaram e eu fui para mais um ano atrasado. Aqui nos EUA eu estava na escola de pessoas mais inteligentes, então eu vi que era muito difícil aceitar ser rebaixado.

Minhas irmãs também tinham muitos problemas na escola. Enfim, eu e minhas irmãs sempre estavamos pedindo para voltar aos EUA. Diante disso minha mãe resolveu que iriamos voltarem 1961 voltamos, eu estava então com 12 anos. Agora eu só saio daqui para ir aoBrasil de 2 em 2 anos para visitar alguns poucos parentes que ainda tenho lá. Meu pai trabalhou aqui numa fábrica de gravatas. Primeiro ele trabalhou num restaurante na Flórida mas ele não gostou então ele veio para New York e foi trabalhar numa fábrica de gravatas e eu e minha irmã fomos para uma escola em Bronks. O problema é que nós não tinhamos dinheiro, eu não falava inglês e nem espanhol mas tive professores muito bons e eu aprendi muito rápido a falar espanhol e na verdade eu falo espanhol melhor que português. Depois tive muita sorte na escola. Era uma escola muito boa em Bronks ( Bronks High SchoolScience) escola para crianças que tem muita inteligência em ciências e Matemática. Depois dessa escola eu continuei na Universidade e graduei. Sempre eu trabalhei porque nós não tinhamos muito dinheiro, então eu trabalhava durante o dia e á noite ía para escola.

Com 23 anos eu terminei Bacharel, trabalhei mais alguns anos e depois com quase 30 anos de idade eu voltei para escola e fui estudar leis. Eu estudei até 34 anos e com 35 anos eu recebi minhas licenças, uma em New York e outra em New Jersey. Abri meu negócio em 1983.

 

MUDABRASIL: Todos nóssabemos que o senhor é reconhecido como autoridade brasileira que conhece as leis e tem atendido todos os imigrantes brasileiros. O senhor se sente feliz sendo advogado trabalhando para os brasileiros?

MOISÉS APSAN: Eu gosto muito de trabalhar com brasileiros primeiro porque eu fui criado em uma casa brasileira, segundo porque eu falo português. Se minha mãe não falasse português em casa eu esqueceria porque quando nós viemos para cá não haviam brasileiros, na verdade eu não conversava com nenhum brasileiroeu já tinha quase 30 e poucos anos de idade quando os brasileiros começram a entrar nesse país. Eu só falava português com minha mãe e minha família, meus amigos eramamericanos.

Eu gosto muito de trabalhar com a comunidade brasileira, a cultura que eu entendo. Gosto de trabalhar com brasileiros, espanhóis e portuguese de Portugal. Eu não gosto de trabalhar com outros países porque eu penso que advogado da imigração tem que falar a língua do país que conhece.

Existem muitos advogados que tem uma secretária que faz tradução, eu acho ruim porque se eu não posso falar diretamente com o cliente eu prefiro não pegar o caso.

 

MUDABRASIL: Dr. Moisés qual foi o caso que o senhor tevee que o deixou com mais vontade de trabalhar com leis antes de ser advogado?

MIOSÉS APSAN: Em 1976 eu precisava me divorciar e naquela época eu era dono de um restaurante. Eu precisava de dinheiro e como todos sabem restaurante é muito difícil ganhar dinheiro e se não der certo se perde tudo e foi isso que aconteceu comigo. Eu e minha ex-esposa tinhamos problemas com dinheiro , é claro,ai nós fomos procurar um advogado para fazer o divórcio e ele queria cobrar $ 700.00. Era muito dinheiro e eu não tinha. Então eu fui na courte e falei com o fiscal que precisava fazer um divórcio mas eu não tinha dinheiro, casa, carro, nada. Não tinha crianças. Ele então me falou que era muito fácil e só precisaria preencher alguns papéis. Comprei os formulários por $ 10.00 preenchi e entreguei para ele. Ele olhou e disse que estava tudo errado e disse que iria me ajudar. Ele me deu outro caso como amostra e eu copiei quase tudo, entreguei para ele e paguei uma taxa de $ 75.00 e com 3 semanas eu estava divorciado.

Eu falei para todos os meus amigos que tinha divorciado sem advogado e que só tinha pago $ 75.00. Meus amigos então me pediram para fazer o divórcio deles. Eu então preenchi os formuláriospara eles eem pouco tempo todos estavam divorciados.

Naquela época meu restaurante estava “quebrado” então o que eu fiz: fui numa loja e comprei papéis, criei um livro (kit) “Como você pode se divorciar sem advogado”.

Eu coloquei um anúncio no jornal Daily News em New York“ Divórcio por $ 99.00”

Na primeira semana eu tinha 8 pessoas no meu escritório ( o meu escritório era uma mesa nos fundos daloja de um amigo). 8 pessoas me pagaram $ 100.00 cada um em 1977 era muito dinheiro, na segunda semana tinha 16 pessoas no meu escritório e na terceira semana 21 pessoas. Na quarta semana a primeira pessoa que eu vendi o kit veio me procurar e disse que não sabia datilografar e perguntou se eu poderia fazer aquilo para ele. Eu falei que sim , que por $ 45.00 eu faria o trabalho para ele. Ele me pagou e então eu fui numa loja próxima do meu escritório e alugueiuma máquina de escrever por justamente $ 45.00. As próximas pessoas que vinham ao meuescritório eu já cobrava$ 45.00 para datilografar e todos aceitavam. Depois as pessoas voltavam ao meu escritório, me perguntaram se eu poderia enviar á courte e fazer a entrega dos processos. Eu disse que poderia ir por $ 15.00. Todos aceitavam. Então eu já cobrava $ 99 + $ 45 + $ 15 o que somavam $ 160.00. Esse era o custo total para fazer um divórcio sem advogado. Eu comecei então a ter muito trabalho, foi quando eu chamei meu pai e falei que tinha um negócio muito bom e fácil e se eu não abrisse escritórios rápido, outras pessoas o fariam. Então em 4 meses eu abri 10 escritórios, sendo, 7 em New York e 3 em New Jersey. O trabalho foi muito grande. Toda semana eu levava mais de 100 processos de divórcio para a courte. Eu não era advogado, não tinha licença, tinha muitos problemas por isso, queriamfechar meus escritórios.

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